Na época das secas, a incidência de queimadas aumenta exorbitantemente, deixando os bombeiros sobrecarregados e piorando o ar de nossa cidade. Isto se deve ao fato de que a umidade do ar neste período está muito baixa, aumentando o poder do fogo em plantas secas.
Apesar de campanhas de alerta à população, alguns moradores, sem consciência ou até mesmo sem orientação e informação, ainda ateiam fogo em lixos, matos e terrenos. Podem-se somar a isto as queimadas realizadas nas lavouras de cana-de-açúcar, comuns em algumas cidades do interior, como em São Carlos.
Alunos da E.M.E.B. Artur Natalino Deriggi, localizada no bairro Cidade Aracy II em São Carlos, desenvolveram um trabalho de conscientização, perante os alunos da própria escola, dos inúmeros prejuízos que o fogo pode causar e das medidas que cada um deve tomar para diminuir seus malefícios.
Inicialmente, os alunos trabalharam a leitura de diversas reportagens sobre queimadas e, em seguida, tiveram um bate-papo com a professora de ciências da escola, Profa. Pietra, sobre “Queimadas X Aquecimento Global”. Posteriormente, produziram textos relacionando os temas abordados e finalizaram discutindo-se os textos produzidos.
Alguns alunos alertaram sobre o que a população do bairro onde moram está fazendo em relação às queimadas. Outros reclamaram de vizinhos que ateiam fogo nos terrenos para acabar com o mato, lixo, restos de materiais de construção e pneus velhos. Isso sem contar nas brincadeiras de crianças com fogo e bitucas de cigarros acesas que são lançadas no mato seco.
E os prejuízos? Roupas no varal que precisam ser lavadas novamente, quintais e interior das casas necessitam ser constantemente limpos, crianças e adultos com crises respiratórias (as famosas ites: rinite, bronquite, sinusite, faringite...) que lotam o postinho de saúde dos bairros, além da péssima qualidade do ar e desconforto que as queimadas proporcionam, sem contar a paisagem, que enegrece.
Todos os alunos contribuíram muito com suas experiências. Muitos também admitiram que usavam o fogo sem se importar com as conseqüências.
A célebre frase do escritor e ambientalista francês, René Dubos, “Pense globalmente e aja localmente” foi norteadora das discussões do grupo. A partir do momento em que cada um de nós sente-se incluído na responsabilidade socioambiental do planeta, não só de onde moramos, trabalhamos ou estudamos, mas pensando que nossas atitudes podem transformar o mundo, tudo se torna mais relevante. É aquela velha história de que cada um deve fazer a sua parte, que com certeza todos sabem, mas poucos praticam. A função dos professores e alunos que desenvolveram o trabalho, é tanto como educadores como multiplicadores, é um trabalho de formiguinha, que aos poucos vão conscientizando e, pouquinho por pouquinho, a população começará a tomar atitudes não só pensando em si próprio, mas pensando no bem estar de todos.
*Este texto foi produzido pelos alunos da 7ª. série da Educação de Jovens e Adultos com os professores Alexandre, de Língua Portuguesa e Pietra, de Ciências.